A Armadilha da Avaliação Irreal: Quando o Ego infla o Preço e quebra o Mercado
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A Armadilha da Avaliação Irreal: Quando o Ego infla o Preço e quebra o Mercado

A avaliação de um imóvel é um exercício técnico que deve equilibrar dados concretos, tendências de mercado e realidade locativa ou de venda. Contudo, frequentemente nos deparamos com o cenário da "avaliação de agrado": quando profissionais, por pressão ou conveniência, precificam um ativo muito acima do valor real apenas para satisfazer o desejo do proprietário.


Este movimento, embora pareça inofensivo no curto prazo, desencadeia um efeito dominó deletério para todo o ecossistema imobiliário.


O Impacto: A Paralisia do Ativo

Quando um imóvel é anunciado por um valor desconectado da realidade, ele não apenas deixa de ser vendido ou alugado; ele sofre uma "queima de imagem".


  • Tempo de Vacância: O imóvel acumula dias no mercado, tornando-se "velho" aos olhos dos interessados.
  • Desvalorização Implícita: Com o passar do tempo, o proprietário é forçado a realizar reduções drásticas que, muitas vezes, levam o preço para abaixo do valor de mercado original, apenas para tentar recuperar o prejuízo da vacância prolongada.
  • Efeito Contágio: O preço inflado distorce a percepção de valor da vizinhança, prejudicando corretores que trabalham com seriedade e frustrando compradores que encontram expectativas irreais.


A Realidade do Cenário: O Custo do Ego

A busca pela validação do proprietário, ao invés da validação do mercado, é uma falha ética e profissional. Proprietários que se baseiam em "achismos" ou investimentos emocionais (o quanto gastaram na reforma ou quanto desejam lucrar) ignoram que o mercado é o juiz final. O comprador ou inquilino não paga pelo seu apego emocional, ele paga pelo valor percebido e pela utilidade do espaço frente às opções disponíveis.


Como o Mercado deveria se Autorregular


A autorregulação depende de uma mudança de postura de todos os elos da corrente:


  • Profissionalismo do Corretor: O papel do corretor não é ser um "anunciante de sonhos", mas um consultor de dados. Recusar captações com preços irreais é um ato de proteção ao próprio patrimônio do cliente.


  • Educação do Cliente: O setor precisa educar os proprietários sobre a diferença entre "preço pedido" e "valor de transação". O que vale é o que entra na conta bancária ao final da venda, não o número exibido em um anúncio.


O que deve ser levado em conta em uma avaliação séria


  • Transações Comparáveis: O que foi efetivamente vendido/alugado na mesma região nos últimos 6 meses?
  • Liquidez da Região: Qual é o tempo médio de venda ou locação para ativos similares?
  • Estado de Conservação e Fatores Endógenos: Diferenciais reais (vagas, posição solar, reformas estruturais) versus benfeitorias que não agregam valor de revenda.
  • Conjuntura Econômica: Taxas de juros, facilidade de crédito e oferta de novos lançamentos no entorno.


O mercado imobiliário é um organismo vivo, movido pela confiança. Quando a ganância substitui a técnica, o resultado é a paralisia. Preço não é o que se deseja, é o que se valida.


Um Compromisso com a Transparência


  • Aos Proprietários: Seu imóvel não é o que você quer que ele valha, mas o que o mercado aceita pagar. O preço justo é o atalho para a liquidez.
  • Aos Corretores: Estudem o ativo, o estilo e a história. Dados de portais não substituem a análise de campo. Sejam consultores, não apenas tiradores de pedido.


Por Lucas Melhem


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